Fazer a diferença

"Meu desejo é que possamos ser sombra e água aos cansados, pois o que vale na vida não é o que temos, mas sim quem temos e quem somos."

A estudante está no último ano de Nutrição e durante os estágios percebeu que pode encontrar seu melhor.

Às vezes é preciso vivenciar outras experiências para dar valor naquilo que está ao nosso redor. É dessa forma que hoje a aluna de Nutrição de Batatais/SP, Naiara Monteverde, é capaz de fazer a diferença na vida dos idosos com quem teve o prazer de trabalhar e conviver.

Conheça mais sobre sobre a trajetória da Naiara que está no último ano do curso.

______________

"O milagre mais extraordinário é a vida. Toda e qualquer forma de vida, feita pelas mãos do Criador. A Sua Palavra nos diz que fomos feitos à sua imagem e semelhança, talvez porque fomos providos pela capacidade de amar, perdoar, ajudar, raciocinar, e demonstrar os mais diferentes tipos de sentimentos. Fomos encorajados a nos enxergar como irmãos, e a praticar o bem a quem quer que seja.

Eu sou estudante do 8º semestre de Nutrição e durante os estágios de Nutrição Social eu pude encontrar o melhor de mim e sentir que poderia fazer a diferença na vida de alguém. Nós trabalhávamos com idosos institucionalizados e toda semana levávamos jogos para promover momentos de alegria e falar sobre a importância da alimentação saudável. E éramos recebidos sempre com um brilho no olhar, um sorriso sincero, um agradecimento ou uma história que ficava ecoando dentro do nosso coração por muitos dias. Com o tempo percebi o quanto era importante nossa presença naquele lugar, que aquelas brincadeiras e momentos de conversa faziam a diferença. Mas se eles soubessem o quanto nos preenchia aqueles sorrisos, nos fortalecia e que eles nos ensinavam muito com a alegria de seguir em frente mesmo privados de uma vida que um dia conheceram e de tudo que um dia lhes pertenceram.

Nós trabalhávamos também com grupos de idosos que fazem parte do CASI (Centro de Apoio à Saúde de Idoso) e realizávamos semanalmente aulas com temas diferentes sobre nutrição e dinâmicas que possibilitavam reflexões sobre hábitos saudáveis e qualidade de vida. Com eles aprendemos a importância das amizades, da companhia, de continuar a mover-se e sentir-se capaz de realizar tarefas, de exercitar-se, de expor sua opinião, de querer aprender e não desistir de si mesmo. Percebemos ao longo dos encontros que é preciso trabalhar com eles também a autoestima e autoconfiança, e despertar dentro de cada um o desejo de permanecer ativo, valorizando sua importância diante da sociedade e da vida.
Poder vivenciar tantas histórias e emoções nos levaram a refletir o quanto a vida é especial e que brevemente ela passa por nós. Então me questiono: o que faremos depois de todos estes anos, e todas estas conquistas? O que ainda nos motivará a acordar todos os dias e sonhar? E se estivermos destinados a perder ao longo do tempo as pessoas que amamos, os bens que lutamos uma vida inteira para conquistar? E se já não formos tão hábeis para o trabalho que executávamos tão bem? Se não nos lembrarmos com tanta facilidade das pessoas e dos momentos vividos? Se não enxergarmos e ouvirmos tão bem como outrora? Se os filhos estiverem ocupados demais para nossas histórias? E quando os degraus se tornarem um obstáculo? E ao olharmos no espelho contemplarmos as marcas do tempo, ainda assim nos encontraremos em nós mesmos ou desejaremos ser jovens para sempre?

A velhice é a parte da vida em que reconhecemos o verdadeiro valor das pessoas e o que realmente importa. É nesse momento que sentimos saudade do colo da mãe e da correção do pai, que valorizamos uma tarde de conversa tomando um chá quentinho com familiares, compreendemos que amigos são mais importantes que ouro, e percebemos que não importa onde você mora, desde que ali você encontre um lar. Por isso que se ama tanto os netos, porque estamos ocupados ou estressados demais para nossos filhos. Não é fácil ter que estudar, trabalhar, conseguir uma boa casa, um bom emprego, um bom carro e ainda poder se dedicar totalmente a família, o tempo precisa ser dividido. E assim vamos criando prioridades, estabelecendo metas, que na velhice já não fazem sentido, pois o que fica de nossa existência é o ser humano que fomos, a intensidade com que amamos, os abraços que demos, tudo em que acreditamos, as palavras que levamos ao próximo e o bem que incessantemente realizamos. Quando somos jovens pensamos que um dia iremos morrer, mas não encaramos isso todos os dias, enquanto na velhice se torna inevitável não pensar que a marca de nossa existência se aproxima a cada dia do fim. Talvez por isso voltamos a ser criança quando envelhecemos, nossos fardos devem ser mais leves para que possamos enxergar o que realmente importa.

E foi assim que ao longo de vários encontros levávamos uma fatia de conhecimento para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e saíamos preenchidos de coragem e fé na humanidade. Despertou em nós o desejo de sermos melhores a cada dia e realizar além daquilo que está nos livros. Pois em nossas mãos, sob nossa responsabilidade não temos apenas um paciente e sim um ser humano que tem uma vida, sonhos, esperanças, dores, medos e alegrias que devem ser acima de tudo respeitadas.

Assim como nos diz a Palavra de Deus em Mt. 4:3: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Os alimentos nutrem o corpo, mas são as palavras que alimentam a alma e tem poder de vivificá-la, de reerguer um coração machucado, de despertar em cada um seu sonho adormecido e de reafirmar o quanto somos únicos e insubstituíveis. Meu desejo é que possamos ser sombra e água aos cansados, pois o que vale na vida não é o que temos, mas sim quem temos e quem somos. Que nossa maior ambição na vida seja ser um instrumento nas mãos do Criador destinados a fazer a diferença na vida de todos os que cruzarem o nosso caminho."

Conheça também outras histórias de nossos ex-alunos

Conheça todas as histórias